Porto AlegreiMANIFESTO, 2008

A obra trata de uma série de happenings em forma de palestra que ocorreram entre 2007 e 2008 ao longo de 6 meses em diferentes casas de shows, pequenos teatros e bares da cidade de Porto Alegre.

Neste circuito temporal, foi apresentada a leitura do iMANIFESTO que propõe-se a ser um “anti-manifesto” pois antes de ser a tentativa de organização de um conjunto de produção de um coletivo de artistas orientados em uma mesma direção, o texto base trata do fenômeno de emergência de uma forma poética espontânea a partir da coletividade da cultura humana global. O iMANIFESTO tenta mais nomear um fênomeno deliberado da cultura já em curso do que dar inicio a uma base de produção futura orientado por ele – como são os casos dos “manifestos” em geral dentro da história da arte ou de outras práticas. O iMANISFESTO é antes um ponto final ou uma vírgula dentro de um movimento corrente inconsciente ou subconsciente da cultura e não um ponta-pé inicial de um movimento orientado a produções futuras.

Neste caso, o fenômeno focalizado foi a ascenção abrupta da a letra “i” e sua expansão na noosfera global – diretamente influenciado pelo lançamento do produto de maior êxito da humanidade capitalista: o iPhone. Neste contexto e tempo, a letra “i” emerge então como um fênomeno global que transcende as dimensões do que, culturalmente, entendemos como meme, concedendo à letra o status de um “poema coletivo emergente”, uma canalização universal mediada pelo mercado e que emergia naquele momento em diferentes partes do mundo ao mesmo tempo através de produtos de massa: iPhone, iGlass, iCar, iGoogle, iPad, etc.

Me coloco aqui não como criador mas como catalizador que, através da observação, aponta e delimita domínios da emergência poética através do reconhecimento e apresentação de padrões. Esta expressão de poesia minimalista (minimal poetry) é, em verdade, a emergência do "i” como um dos signos definidores da era da internet e da revolução da informação – além de apontar o surgimento e nomeamento do pós-objeto em nossa atual era digital.

Para conferir a gravação da leitura do iMANIFESTO clique na URL abaixo.

performance
2008

João Cavalcanti fazendo a leitura de seu iManifesto no Teatro Porto de Elis em 2007.